Funciono como um computador dos anos 60: meus pensamentos ficam empilhados como cartões perfurados, e uma hora eles são processados. Esse texto é o resultado de décadas de cartões empilhados — carros, motor, família, política, negócio, alguns tombos feios pelo caminho — finalmente sendo processados.
Meu nome é Leandro Sauerbronn. Se você chegou até aqui depois de ler algum artigo deste blog, talvez já tenha percebido que eu não escrevo como quem estudou o assunto num curso de fim de semana. Escrevo como quem viveu boa parte disso na prática — às vezes com as mãos sujas de graxa, às vezes com o bolso vazio, sempre tentando entender o funcionamento real das coisas por trás da explicação fácil.
Estranhamente, minha paixão por carro não veio do meu pai. Veio do lado da minha mãe — dos “alemães” da família, os Sauerbronn.
A curiosidade é que essa ligação com máquinas e engenhoca é bem mais antiga do que eu mesmo sabia até pesquisar a fundo. Um antepassado da família, o Barão Von Drais de Sauerbronn, é considerado um dos inventores da bicicleta, e esteve no Brasil a convite de Dom Pedro I ainda antes da família imigrar oficialmente. Em 1824, o Pastor Friedrich Oswald Sauerbronn — outro antepassado — fundou a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, junto com os primeiros imigrantes alemães que chegaram ao país. Hoje, sempre que posso, paro na pequena igreja luterana de lá para homenagear quem veio antes de mim.
Mais perto da minha geração, teve meu tio-avô Wilson Sauerbronn, que desfilava pelas ruas de Niterói com seu Duran — um dos apenas dois exemplares existentes no mundo, o outro está guardado no museu da Chevrolet, nos Estados Unidos. O carro dele chegou a abrir novela. Os filhos do Wilson viraram mecânicos. Meu primo Ewanilson gosta de Jeep até hoje. Outro tio, o Vivinho, também foi grande mecânico, e os filhos dele seguiram parte desse caminho.
Eu, desde moleque, sabia o nome de praticamente todo carro que rodava no Brasil — e boa parte dos importados também. Não tive muito contato direto com essa turma da família enquanto crescia, mas de alguma forma aquilo já estava em mim antes mesmo de eu entender de onde vinha.
Enquanto era garoto, buscava oficina por conta própria — ficava com os “malucos do pedaço”, aprendendo tanto coisa boa quanto coisa ruim, porque nos anos 80 não existia filtro nenhum. Era um mundo de fortes, no bom e no mau sentido.
Quando chegava da escola, o ponto de encontro era uma oficina ao lado de um bar com nome que ninguém esquece: “QG dos Canalhas”. Ali aprendi de carburação a comando de válvulas, até as primeiras injeções eletrônicas chegarem ao Brasil — o famoso sistema Lejetronic.
Aos 16 anos comecei a frequentar os “pegas” — o que hoje muita gente chama de racha — em Niterói e nas cidades vizinhas. Foi ali que tive minhas primeiras experiências reais com motor preparado, o que a gente chamava de “veneno”. Tenho a convicção de que, quando eu partir desta vida, vou apanhar do meu anjo da guarda por tudo que fiz ele trabalhar naquela época.
Em 1994, aos 17 anos, entrei na primeira turma do curso técnico de Eletromecânico da Volkswagen do Brasil, no CEFET do Rio de Janeiro — ainda recebíamos vale-transporte, e periodicamente íamos até a concessionária “madrinha” do curso, a antiga Scala, em Santa Rosa, Niterói.
Em 1995 acabei servindo ao Exército Brasileiro, mesmo tentando evitar isso ocultando que já era estudante de mecânica e eletrotécnica — conhecimento que boa parte veio das noções de eletrônica que aprendi com o falecido professor Paulo, o “Paulinho”, de uma rua transversal à minha. Não teve jeito: acabei alocado como Auxiliar Mecânico, o que infelizmente me obrigou a abandonar o curso da Volkswagen no último semestre.
Servi no 19º Batalhão, o Batalhão Marechal Bittencourt, na arma de Material Bélico — cercado de viaturas o tempo inteiro, o que naturalmente atraía outros “malucos” com o mesmo interesse. Chegamos a fazer competições de arrancada nas madrugadas de fim de semana, dentro do próprio quartel. E, como recruta, o que a gente recebia era pouco, e ainda descontavam do soldo pra pagar o fardamento que ninguém tinha pedido pra vestir.
Com o tempo fui me afastando dos pegas, amadurecendo, conhecendo gente nova, ficando mais caseiro — mas o desejo por carro nunca sumiu. Em 1999 comprei meu Opala Diplomata 91 Prata. Ainda o tenho até hoje.
Nos anos 2000, criei o Blog Mundo Automotivo, onde escrevia sobre carros, dava dicas e compartilhava opinião. Aquilo virou renda de verdade e me rendeu viagens a convite de montadoras — mantive o blog até aproximadamente 2014.
Foi também nessa fase de vida mais assentada que comecei a namorar a Érica Patrícia, em 2003 — a mulher que, dez anos depois, se tornaria minha esposa.
Em paralelo, entre 2006 e 2020, fui assessor parlamentar do deputado (depois senador) Arolde de Oliveira, que infelizmente faleceu em 2021. Foi ele, aliás, dono do Pleno.News, quem me convidou a assinar uma coluna própria por lá — a “Garagem do Sauer” — onde escrevi sobre tudo, de sistema de partida a óxido nitroso, Porsche ao Grupo B do Rally.
Em 2010, fui a uma palestra no Senai da Tijuca, no Rio — eu já tinha feito curso de pintor automotivo lá em 2006. O palestrante era meu antigo professor de pintura, e, entre nós, eu já tinha mais experiência prática de mecânica do que ele. Ele contou que o Senai tinha mudado de diretriz: não queria mais formar mecânico, queria formar “gerente de oficina”.
Pensei alto, na hora: quem vai se dar bem com um curso de mecânica assim? Pra mim, aquilo tinha acabado com o propósito real do Senai. Um senhor ao meu lado concordou comigo.
Esse pensamento ficou empilhado — cartão perfurado esperando processamento — até que, numa das minhas noites comuns de insônia, veio a pergunta: “e se eu criar um curso de mecânica?”
No dia seguinte, já tinha ligado pro meu amigo Dilson, dono da Oficina do Izak, e marcado conversa num encontro de carros antigos em São Gonçalo. Ele estava lá com o pai, seu Izak — último fundador vivo do Veteran Car do Brasil, veterano de guerra em Israel, com passagem pelo Mossad. Assim que expliquei a ideia, o Dilson respondeu: “não sei o que é, mas já estou dentro, vindo de você é coisa boa.”
No mesmo período, encontrei um colega do curso de elétrica automotiva que eu tinha feito no Senai do Barreto, em Niterói, e ele também topou.
Em 2012, formamos a primeira turma — a lendária Turma 01. Até hoje, 80% daqueles alunos seguem envolvidos com carro, seja por trabalho ou por hobby. Foi numa conversa com meu amigo Stéfano, na Rádio Católica Catedral do Rio de Janeiro, onde eu era âncora do programa de esportes, que surgiu o nome que batiza tudo isso até hoje: Sociedade Automotiva.
Foi também em 2013, um ano depois da Turma 01, que oficializei minha união com a Érica Patrícia — já namorávamos havia dez anos.
O curso funcionou até a pandemia, quando precisamos parar.
Em 2017, eu, o Dilson, o colega do Senai e mais um aluno decidimos abrir uma oficina do zero, em Teresópolis. Eu seguia no Rio, cuidando do gabinete e ajudando financeiramente, tocando o marketing pra captar tanto cliente quanto aluno. No início foi difícil — meu colega do Senai desistiu e foi trabalhar num concorrente. Tinha cabeça de empregado, não de patrão.
O aluno que ficou responsável pela unidade assumiu tudo com a mulher dele. Na hora de renovar o contrato, quis encerrar a sociedade — o combinado era devolver as ferramentas e insumos que eu tinha comprado, mas isso não aconteceu. Aconteceu exatamente no pior momento possível: no meio da pandemia, eu tinha acabado de perder meu trabalho principal, o curso Sociedade Automotiva também tinha fechado, e era justamente a hora em que eu precisava que aquele investimento voltasse. Fiquei com uma dívida bancária que prefiro nem mensurar aqui — e com meu filho Nicolas, então com dois anos, para criar.
Não conto essa parte pra reclamar. Conto porque é verdade, e porque é o tipo de tombo que ensina mais do que qualquer curso. Se este blog defende autossuficiência e desconfiança de depender demais dos outros, é porque eu já paguei o preço de aprender isso na prática.
Pra sair do buraco, usei a única expertise sólida que eu tinha construído ao longo dos anos: marketing político. Participei de mais de cinco campanhas vitoriosas, e fomos pioneiros em técnicas de campanha que implementamos antes até do próprio Obama popularizar algo parecido nos Estados Unidos.
Um ex-aluno, que fazia manutenção de ar condicionado automotivo, tinha um galpão com capacidade para mais de 15 carros, do outro lado da rua de onde morava — e, no meio da pandemia, me pediu ajuda. Foi aí que nasceu a Sauer Publicidade e Marketing, em janeiro de 2021. Como era um negócio local, usei e abusei de SEO e Google Meu Negócio.
Depois dele, vieram outros clientes — muitos do próprio mundo automotivo, inclusive a Oficina do Izak, do meu amigo Dilson, fechando um círculo que começou ainda em 2010.
Hoje a Sauer Marketing atende principalmente clientes de SEO, com foco forte em vidraçaria e serralheria — encontro serviço e técnico pros clientes contratarem —, estamos começando a expandir para construção predial com uma empresa parceira, e também operamos sites no modelo Rank and Rent. E, no dia 24 de agosto deste ano, voltei a atuar diretamente na Oficina do Izak.
Chegamos a gravar alguns episódios de um podcast com o Dilson, o “Falando Auto” — estão disponíveis no canal Sociedade Automotiva no YouTube. Paramos por falta de local fixo pra gravar, mas quem sabe não retomamos.
Depois de tudo isso — carro, gabinete, curso, oficina, dívida, reconstrução — decidi criar a Academia do Homem pra escrever, finalmente, o que eu penso.
Vivo minha vida inteira como empreendedor, e às vezes parece que, neste país, empreender é quase tratado como crime — entre burocracia, imposto e um sistema que raramente favorece quem tenta construir algo com as próprias mãos. Esse blog é o espaço onde reúno os conceitos que sempre nortearam minha vida: estudo constante, conservadorismo, autossuficiência, sobrevivência, técnica aplicada — não por acaso, são exatamente as categorias que você encontra no menu deste site.
Não escrevo aqui como quem tem todas as respostas prontas. Escrevo como quem já quebrou motor, já quebrou a cara, já ficou sem chão e teve que reconstruir com o que sabia fazer. Se alguma coisa que escrevo aqui ajudar você a evitar um dos tombos que eu já tomei, ou a entender melhor um assunto que sempre pareceu complicado demais pra mexer, o blog já cumpriu seu propósito.
Se quiser trocar ideia, tirar dúvida sobre algum artigo, ou só bater um papo sobre carro antigo, me chama pelo Contato.
@ 2026 – Todos os Direitos Reservados – 21 99062-9505 / Sites Posicionados para sua empresa SEO – leandrosauer.com.br
@ 2026 – Todos os Direitos Reservados – 21 99062-9505
Sites Posicionados para sua empresa SEO – leandrosauer.com.br